Desincorporacao no Brasil em 2009
Analistas veem "desincorporação" em 2009
As incorporadoras podem cancelar lançamentos imobiliários neste ano para preservar o caixa diante da crise econômica. Essa é a opinião de Eduardo Silveira, analista de construção civil da Fator Corretora, e de Luiz Fernando Lucho do Valle, presidente da Ecoesfera Empreendimentos.
A lei brasileira permite que as incorporadoras desistam de empreendimentos que não tiverem bom desempenho nas vendas dentro de um prazo de seis meses, após o lançamento.
Nesse caso, as empresas devolvem o dinheiro pago pelos compradores das unidades, cancelam o lançamento e assumem como prejuízo os investimentos em publicidade e em estande de vendas.
Lucho do Valle vê "desincorporações" acontecendo em peso no segundo semestre deste ano. "É uma atitude responsável que os empresários vão ter.
Devolver o dinheiro para o investidor e cancelar o empreendimento é melhor que construir um prédio que não vendeu bem", afirma.
A queda na demanda e a escassez de crédito podem levar empresas a optarem por adiar lançamentos e cancelar empreendimentos já lançados com vendas abaixo do esperado, afirma Silveira.
"No ano passado, os casos de cancelamento de lançamentos eram por excesso de oferta em uma região. Neste ano, será por queda na demanda. As empresas podem preferir cancelar a incorporação antes de construir a incorrer na exposição de seu caixa", diz Silveira.
Entre os lançamentos com maior probabilidade de serem cancelados, Silveira cita os empreendimentos de maior valor e fora do eixo Rio/São Paulo.
Esse foi o caso do Condomínio Grand Park, empreendimento da Klabin Segall lançado em 2008, em Uberlândia (MG), e cancelado por apresentar baixo volume de vendas.
"A decisão está baseada no comprometimento da Klabin Segall com a geração de valor aos seus acionistas, com a menor exposição de caixa e com a prioridade na venda de estoque do ano passado", disse a empresa em nota, na semana passada.
Para Silveira, 2009 terá volume de lançamentos entre 20% e 30% menor que 2008.
João Crestana, presidente do Secovi (sindicato de habitação), e Eduardo Zaidan, diretor de economia do SindusCon-SP, também veem uma redução no volume de lançamentos neste ano, mas não acreditam na cancelamento dos projetos já lançados.
"As incorporadoras só vão lançar empreendimentos seguros e deixarão para outra oportunidade os mais arriscados", diz Zaidan. "Todo ano temos um ou dois casos de cancelamentos. Esse ano será igual, mas não acho que teremos mais ou menos por conta da crise", afirma Crestana.
"As empresas podem preferir cancelar a incorporação antes de construir a incorrer na exposição de seu caixa"
EDUARDO SILVEIRA
analista de construção civil da Fator Corretora
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