Cyrela aumenta cautela com segmento economico
O temor do desemprego começa a resvalar nas empresas do setor imobiliário. Apesar do maior acesso às linhas de financiamento nos imóveis econômicos, a Cyrela, líder de mercado, está mais cautelosa com o segmento. Com medo do aumento da inadimplência, a empresa está mais rígida na análise e concessão de crédito.
"O pior cenário é fazer uma venda sem qualidade e ter de pegar o imóvel de volta depois", afirmou Luis Largman, diretor de relações com o investidor, em apresentação para investidores e analistas. Os imóveis de médio padrão - até agora os que mais sofreram com a crise, segundo a companhia - também são afetados pelo medo do desemprego. Mas é no segmento mais barato que emprego e renda interferem diretamente nas vendas. "Somos contra política de promoções e prêmios."
Várias companhias do segmento, como Goldfarb, Tenda e MRV, estão oferecendo carros, TVs de LCD e até o pagamento da escritura para agilizar as vendas.
Por conta desse cenário, a empresa pôs o pé no freio na expansão da sua marca econômica Living. Espera ter mais definições do cenário macroeconômico no primeiro trimestre de 2009 para, então, decidir sobre os lançamentos com a marca. "Pela lógica, deveríamos estar aumentando nossa participação em Living, mas estamos olhando com mais calma para esse mercado", disse Largman.
Segundo fonte do setor, na crise, as empresas devem se voltar mais para o seu core-business, onde dominam sistema de vendas, construção e conseguem melhores resultados. Do total das vendas da Cyrela, 29% estão no segmento econômico e super econômico e 71% no médio e alto luxo. A participação da Living no banco de terrenos da empresa ficou em 24% em 2008. O melhor negócio em 2008 foi de um empreendimento em Perdizes, com preço dos apartamentos acima de R$ 1 milhão.
A Cyrela anunciou ajustes no terceiro trimestre para se adaptar à crise. A redução no número de funcionários, anunciada pelo presidente Elie Horn em outubro, já foi feita. Segundo Largman, a empresa demitiu 89 de um total, de 600 funcionários da área administrativa em vários níveis hierárquicos, o que significou uma redução superior a 15% da folha de pagamentos. Mesmo a Seller, seu braço de vendas, enxugou o quadro. Embora os corretores sejam autônomos, houve uma redução no número de profissionais de 800 para 600.
O mercado estabeleceu um novo padrão não só para a venda, como também para a compra de imóveis. O comprador está mais lento na decisão. "Não existe mais compra emocional", disse Ubirajara Freitas, diretor-geral da companhia, para quem o mercado continua líquido. "A crise pegou o setor no melhor momento dos últimos oito anos."
- 534 leituras

